segunda-feira, 27 de outubro de 2025

voo

Os pés pisam vacilantes 
Os olhos buscam por um ponto fixo
A mente divaga taciturna
Os pensamentos flutuam imprecisos.

Embora os sinais apresentem o caminho
E as trilhas abertas entre densa mata
Demonstre que muito já se andou
Que há um conhecimento
Que há apropriação 
Os passos insistem em falsear 
A incerteza teima em imperar.

O banco surge como acalanto 
Assentado sobre terra e grama
Os pés que se aterram em comunhão com algo maior
Anseiam por afastarem-se do solo, em um movimento irreversível. 

Acordo e acordo
Não darei corda à essa composição 
Ao menos não por hoje.

terça-feira, 12 de março de 2013


E vendo essas crianças, vendo este país... 
Me lembro do meu tempo, tão fácil era ser feliz.
Não sei se é intolerância, descrença ou despeito,
Mas acho que hoje em dia, as coisas já não são do mesmo jeito.

Pueris frases que em nada alterarão a realidade,
Que de tão covardes e egoístas nada acrescentarão à sociedade.

Quisera eu poder encontrar uma maneira, 
De mostrar às minhas crianças, ainda em tom de brincadeira, 
Que as coisas certas ainda fazem sentido, 
Que nada é mais puro do que um abraço de um amigo.

Hoje trago em meu peito uma saudade infindável,
Do tempo em que viver era ao menos suportável,
Trago o canto dos homens que souberam dizer,
Às suas crianças o quanto era belo crescer.

Não consigo ecoar as frases que embalaram minha infância,
Ao ver ao meu redor cada vez mais desesperança! 
Finjo-me alheio por não poder mais suportar,
Coisas que sei que não posso e nem poderei alterar.

É difícil crescer! 

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Empatia Literária.

Apesar da eloquência do narrador onisciente 
apresentar uma visão transcendental do ser e do ambiente,  
Identifico-me mais e prefiro o papel do pobre personagem imoral,
Pois sabendo ser sua imoralidade vastamente censurável,
Certamente não lhe resistiria a sanidade mental.
Os passos de quem me encobre a luz,
Escurecem as palavras reluzentes de certo autor,
Cansam ainda mais meus olhos já fatigados.

Oxalá pudessem ser passos menos pesados,
E que eu pudesse dispor de uma luz mais autônoma.

Uma folha pousa inerte sobre uma pedra,
Sem saber ao certo a quem pertence,
Soa a mim como uma metáfora esclarecedora.

Com o perdão de todo o paradoxo que tal verso carregou.
Pois a folha, embora jaza no meio do caminho em que tantas pessoas passam,
Até agora, por nenhum daqueles passos fora pisada.

quinta-feira, 31 de março de 2011


Desabafo

O que mais me faz falta na atual loucura do dia a dia,
É poder sentar-me sob essa lua, sem preocupações,
Empunhando o violão... Deixar o amargor esvair-se...
Divagar entre canções... Aquietar o coração...
E sem pressa chegar à calmaria que tanto procuro durante os dias...
Contrariar tudo que penso e faço...
Contrariar tudo o que me fazem ser...
Deixar de lado todos os fardos, e manter apenas uma certeza em mente:
A de que em algum lugar, mesmo sendo em um fundo bem fundo, ainda sou gente.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Poesia Conceitual

Minha Poesia é crônica
No sentido visceral da palavra,
Fosse aguda a poesia minha,
Certamente não me resistiria a alma.

Relutam-me aqueles sentimentos débeis,
Opacos, cheios de "não podeis",
Invado ao âmago do eu esparso,
Procurando em vão a mim, encontro você.

Oras, se estas cá dentro, como posso vê-la fora,
Introjetei forma inexistente? Fruto dos desejos mais ardentes? 
Abstrai o que levava em mente? Estou prestes a perder-me quando fico em tua frente.

Já não sei ser projeções, faltam-me conceitos técnicos,
O que assola a alma minha é a certeza que nada é de verdade,
E o que me preocupa, e acima de tudo desaquieta meu fraco coração,  
É a possibilidade, de que um dia ao olhar pra trás, pra dentro ou pra onde quer que seja,
Arrependa-me por não ter entregado-me a tão deliciosa ilusão.  




  

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Para ninguém em especial.

Do mundo que te ofereci,
Sinto, já não posso mais nada entregar,
Do pouco que eu recebi,
Não posso de forma nenhuma me afastar,
Do muito que eu já cedi,
Você já não pode mais negar,
E posto que estou sempre aqui,
De você não quero mais, nunca mais me separar!.

Quase me perdi nas juras de teu falso amor,
Adora-me como a lua ao mar,
Mas permita-se em minhas calmas águas mergulhar!

Teus olhos têm tal poder,
Movem minha vontade como se fora dois ventríloquos,
Altera meu ânimo, quando toca-me a alma de forma tão tênue,
Exaspera-me pensar em perdê-los, já não sei se por amor, ou mera dependência.

Fora de mim, tudo é opaco,
Já aqui dentro as cores tomaram conta,
Já não me sinto capaz de compreender as motivações de meus atos,
E sozinho, certamente estarei, sempre pensando em você.
Uma noite, duas realidades.

Caiu na esquina a última lembrança amarga
Que deixou em meu peito no momento em que partiu,
Agora posso, mais leve alegrar-me,
Sem o peso do desgosto, que teu cítrico perfume deixou!

Vivo a noite, sambo e bebo a todas outras moças,
Esquecido, de que há alguns dias, dança não existiria sem você a meu lado,
Já não tenho, junto ao meu o teu corpo infiel, meio tonto, digo que isso já não se trata de um mal.
A essa hora, já sem nenhum tipo de desgosto, juro preterir o cítrico frente ao âmbar. 

Apontam-me o caminho, antes fosse via sacra,
Passando pela esquina, novamente recolho você,
Fulgurosa, pousa em meus braços, me cura e ofusca,
E juro, nunca mais te esquecer!
Sessão Limpeza 

As coisas que deixou não habitam apenas o nosso antigo quarto,
Que outrora fora palco de disputas de bem querer,
Habitam também minha lembrança, que quase me põe louco, 
Nos momentos em que o sentir solidão confundem-se com o sentir você.

Posso eu querer devolver o amor que aqui plantou?
Entregar-te o que no meu peito, por pulsar a mais, já não cabe?
Leva essa coisa que aperta-me por dentro, faz-me figurante,
Ainda que em seu lugar deixes uma saudade sem nome.

Creio ainda que não conseguirei devolvê-lo a ti, 
Tampouco ver-te sem verter um interno inexorável pranto,
Que pouco a pouco faz com que perceba a imensa bobagem em que consiste
Esta forma de amor em que cumpre-se, promete-se, sem nada pedir, enfim, doa-se,
E que dói tanto.

Por que simplesmente não pega esse desagrado e leva daqui?
Meu peito não pode mais com a chaga que tua ausente presença invoca,
Vá, suma da minha vista, procure um novo fraco espírito pra encostar,
Fico aqui, com a árdua tarefa de exorcizar-te da minha pobre possuída alma.   

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O lamento de um réu confesso.

Sentado nos degraus da escada de casa,
Com a lua fervente enxugando as lágrimas rolantes de um coração machucado,
Refaço meus planos, excluo pessoas, alimento esperanças
Pra mais tarde deixá-las, por aquele sempre impiedoso e adorável chamado.

As lágrimas nem são mais tão resistentes assim,
Agora sequer chegam a marejar meus olhos já cansados,
Nascem no peito, e ali mesmo evaporam, sem se fazerem perceber
Condensam-se, e exatamente como ocorre com a chuva, 
Voltam à superfície, não com a tranqüilidade de uma torrencial tempestade de verão,
Tampouco em forma de garoa fina que saúda as manhãs do inverno,
Reaparecem já em forma de poesias, que travestidas de obras sutis e descompromissadas
Vão levando a cabo, as camadas de disfarce deste escritor já descuidado!

Corri, tentei ver o fenômeno ocorrendo por dentro,
Dei de cara com um universo até então desabitado,
Desabitado de consciência, pois de vultos e seres turvos,
Este ambiente está na verdade mais do que superlotado!

Começo a perceber o porquê dessas angustias sem fim,
Consigo sentir facilmente que falta uma parte de mim, num canto a esperança,
Escurecida por camadas de luz negra, jaz atualmente sob um peso inaguentavel,
Ruiu aos pés das visões, e da auto natureza insone!

Coisas de bicho Homem, ouvi certa vez de um amigo que se dizia na lama,
Nunca assim a vi, discordo de sua interpretação unilateral, vazia,
Afinal, se a falta dela causa tanta tristeza, trunca a alma, entedia o dia
Por que simplesmente não dessoterrá-la dos fardos da mente humana?